Planos

23 , agosto 2007

Eu juro que fujo contigo, se não formos para um mundo perfeito. Eu juro, eu descasco batatas, eu lavo pratos, eu limpo calçadas, corto grama e faço cabelos e barbas. E quando nada disso bastar, eu arrisco uma poesia, dessas que duram a eternidade de uma tarde. Sei que por gentileza sorrirá, talvez até corrija palavras inoportunas. Repetiremos isso muitas e muitas vezes, deixando a vida assim: metrica livre; sem rima. E se for possível, confundamos [co-fundemos] tudo, imperfeitamente. E depois de chorar, sorríamos dos erros, como se eles fossem piada, e o passado, perfeito. Eu juro que fujo contigo, para fazer da minha memória um mundo perfeito.

Primeira pessoa

29 , julho 2007

Ela abriu outro daqueles longos sorrisos. Era o terceiro da noite. Eu sentia seu olha atravessando minhas vestes, minha carne, meus ossos. Algumas nuvens escondiam a lua, e o vento não cessava, deixando a noite levemente fria, parecida com a dos filmes de suspense. A cidade parecia fazer silêncio esperando os próximos sussuros. Todo mistério da noite já tinha acontecido [ou apenas começava?]. Amávamos, como se houvessemos encontrado um [dos] tesouro[s] que procuramos por todo o passado: a primeira pessoa do plural.

Música e Silêncio

1 , maio 2007

Meu violão cuspiu algumas notas; minha boca, poucas palavras. Mesmo com meu coração arriscando um ritmo, não era música. Minha alma vela em silêncio, como se não existisse.

questão:

25 , março 2007

Para ter sentido é preciso ter sentimento ou é preciso ter sentimento para ter sentido?

¬¬

o titulo é assim mesmo, com letra minuscula.

Simples

25 , março 2007

Eu ia deixar aqui um segredo. Talvez o segredo da minha vida. Tão incompleto como o próprio ato de existir. Mas meu segredo ainda não está completo. Se eu fosse sábio completo, mais que voz, eu teria silêncio. De minhas simples venturas, eu provo o barulho de existir e o silêncio de alguma pensamento. E assim metido, vivo.

Um caso de Traição

12 , fevereiro 2007

Eu já nem sei se beijei a menina da escola ou a atriz do cinema. Na verdade, as circunstâncias eram iguais. Uma sala de cinema, luzes apagadas, ela tava do meu lado. Os lábios vermelhos, mesmo em silêncio, pediam meus lábios. Eu via a atriz, a menina, os lábios e Àquela altura já era eu quem queria o beijo. Ela estava ao meu lado. Beijei-a. A menina ou a atriz, não sei. Traí uma com outra, outra com uma. Só não traí minha paixão pelas duas que cheia fascinio terminou num happy end hollywoodiano. Depois da sessão, o sorvete. Depois do sorvete o adeus. E voltam os dias normais.

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